Por assuntos sérios, traça-se uma linha que separa BBB, Carnaval e Copa do Mundo daqueles outros que também nos fodem, mas sem torcida organizada ou camiseta estampada.
A população é comprometida, veja só um grande clichê que vivem falando sobre o Brasil:
“É por isso que esse país não vai pra frente” – já ouvi esta expressão diversas vezes, até em filmes. Vamos, leitores, em coro, odiar o “isso”. Porque esse “isso” que as pessoas se referem parece nos prejudicar mesmo. Acredite que ouvi esta frase também no trânsito, quando um caminho alternativo estava fechado.
O povo – e me refiro ao coletivo mesmo – tenta arranjar razões para explicar a nossa situação. Algumas até são louváveis, como corrupção dos políticos e instituições. Mas é certo exagero dizer “é por isso que esse país não vai pra frente”. Porque mesmo a corrupção do mais perverso político, embora seja culpa dele (porque é ele quem rapa a mão no dinheiro público), também coloca sobre nós a responsabilidade.
Não só a responsabilidade de tê-lo eleito, o que nem sempre faz sentido, pois muitos políticos passam uma imagem a vida inteira e mudam completamente de postura quando entram no poder. O principal, mesmo, é a vista grossa que a população faz sobre esses delitos.
Tivemos casos e mais casos de corrupção e em quantos a população foi participativa? Tirando alguns pequenos exemplos históricos, como o impeachment do Collor (que teve uma mão da imprensa), poucos, quase nenhum. Deixe-me pensar, lembro-me de uma passeata contra o aumento de salários dos deputados e acho que só.
Logo, dizer esse clichê é tirar sua responsabilidade como cidadão e colocá-lo na mão de alguma outra pessoa, instituição ou acontecimento. Eu, agora, posso dizer que é por isso que esse país não vai frente. A população tem poder para mudar o seu país. Não adianta esperar a generosidade daqueles assuntos sérios, que, como disse, nos fodem sem que levantemos torcidas ou camisetas.